Segundas Intenções com Paula Fábrio e Estevão Azevedo
Postado em 18 DE maio DE 2016A atividade marcou o início da parceria da biblioteca com a revista Pessoa, que é voltada para o universo literário. A publicação sugeriu que os escritores discutissem na BVL sobre o conceito de utopia, em memória aos 500 anos de edição da emblemática obra de Thomas More. Esta ideia continua a ser evocada por diversas gerações e muito já se construiu em termos literários e filosóficos sobre o tema. O objetivo é problematizar o “lugar” da utopia no mundo contemporâneo.
A editora da Pessoa, Mirna Queiroz, foi convidada a participar da mesa e falou sobre a publicação. Disse que uma revista de literatura é também fruto de uma utopia e que a publicação foi mantida por cinco anos com recursos dos colaboradores. Comentou que atualmente busca uma alternativa de financiamento com um sistema de micropagamentos. “Vamos tentar viabilizar o projeto, existe ainda resistência devido a cultura do gratuito na internet”, disse.
Sobre o tema da palestra, Estevão falou que “toda a utopia é uma construção humana. Embora ela tenha caráter construtivo e trabalhe com o conceito de desejos homogêneos, ignora que os seres humanos são diferentes”, afirmou, ao dizer que gosta do termo como uma crítica as sociedades de seu tempo.
Já Paula afirmou que atualmente as utopias e distopias estão presentes na literatura e no audiovisual, especialmente nos filmes. “Nas pesquisas e entrevistas que venho fazendo para a revista Pessoa, fala-se muito que a utopia é não estar contente com o lugar em que se está”, comentou.
Ainda sobre o debate, Manuel concordou e fez uma longa exposição sobre distopia e utopia. Para ele, estes conceitos refletem o seu tempo. Exemplos não faltam. Na República de Platão, o problema a ser colocado em pauta era o do filósofo-rei. Na idade média, refletia-se a fome que assombrava a Europa e imaginava-se um país de fartura, a terra de cocanha. Thomas More problematizou o emprego (ou a falta dele) no início do renascimento. A Nova Atlântida, romance de Francis Bacon busca a utopia travestida de ciência. Este termo foi revitalizado até chegar a clássicos do século XX como Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Na parte final do bate-papo, os escritores também falaram de suas obras. Paula comentou sobre seu mais recente lançamento, Um dia toparei comigo. O livro aborda o poliamor e como uma viagem pode ser uma fuga para os problemas centrais da protagonista, especialmente a morte do pai em virtude de um câncer.
Já Estevão disse que em seu romance Tempo de espalhar pedras buscou uma literatura que não fosse urbana e cosmopolita “Acho que a nossa literatura está muito autocentrada. Os personagens são sempre jornalistas, escritores e artistas. Carece de mais diversidade. É uma autocrítica: eu mesmo já lancei obras assim”.
O próximo Segundas Intenções na BVL vai ser com o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva. A atividade está marcada para o dia 11 de junho, às 15 horas.
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