Segundas Intenções com Elvira Vigna
Postado em 24 DE agosto DE 2016Neste sábado, 20, a Biblioteca de São Paulo (BSP) realizou a edição de agosto do Segundas Intenções com a escritora Elvira Vigna. Ela contou um pouco de trajetória profissional, da sua obra literária e da sua visão de mundo e da literatura. Foi jornalista nas maiores redações do país como O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo. Montou a editora Bonde para trabalhar no mercado infantojuvenil – assinou vários títulos inclusive, e editar a revista marginal A pomba. Entrou para a escrita para adultos “pela porta dos fundos”, sempre preferiu trabalhar como ilustradora e tradutora. Hoje tem dez livros no mercado e afirma “todos são parecidos”. Busca em seus textos o cruzamento de memória, história e esquecimento, como aprendeu lendo o filósofo francês Paul Ricoeur.
Por isso mesmo, usa a sua vida para fazer literatura. “Em todos os meus livros coloco fatos que vivi ou testemunhei. Em alguns casos, tento negociar com a pessoa o que vou escrever ou não”, afirmou, frase que surpreendeu o moderador do bate-papo Manuel da Costa Pinto. Ele pontua que a morte e os assassinatos de seus livros são um elemento deflagrador das narrativas. Ela concorda e disse que sua obra transita entre a morte, a solidão e o vazio, mas “nem por isso não é engraçada”.
Fã de William Shakespeare, tem paixão pela peça teatral A tempestade, que serviu de inspiração para A um passo, que considera seu melhor livro. A obra pode ser lida tanto como uma narrativa sequencial, composta de capítulos curtos e concentrados, quanto como um conjunto de contos avulsos que se articulam num jogo entre o sucessivo e o simultâneo, onde cada peça se basta e se encadeia às demais.
Seu mais recente lançamento é a mais uma tentativa nesse sentido. Como se estivéssemos em palimpsesto de putas carrega no próprio nome a ideia de uma memória que se esgota. Palimpsesto, para quem não sabe, é um papiro ou pergaminho cujo texto foi apagado, para dar lugar a outro. “Gosto do processo de escrita porque algo no presente me remete ao passado. Esse livro não é uma lembrança e sim uma memória, que é algo mais estruturado”. Cabe então ao leitor tentar descobrir o que é a personagem designer em busca de trabalho e o que é a própria autora. “O grande lance do fazer literário é captar e processar a realidade, para que o leitor seja coautor”, finaliza.
O próximo Segundas Intenções acontece na BSP com o escritor Raphael Montes no dia 24 de setembro, às 11 horas.
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