Ronaldo Bressane na BSP
Postado em 28 DE junho DE 2016Bressane se definiu como um dos integrantes da Geração 90, que reunia nomes como Joca Reiners Terron e Nelson de Oliveira/Luiz Bras. Estes escritores se autoproclamavam transgressores e que lutavam a duras penas para, no fim do século XX, conseguir uma forma de ser publicados e expressar sua arte.
O autor já escreveu contos, romances e crônicas, flertou com o jornalismo e publicou obras de poesia. Entre os contos, pode-se citar Os infernos possíveis (Com-Arte/USP, 1999), 10 presídios de bolso (Altana, 2001) e Céu de Lúcifer (Azougue, 2003). Em 2014, lançou seu primeiro romance, Mnemomáquina (Demônio Negro). Este ano, deve lançar o segundo, Escalpo. Ao final do programa, ele leu um trecho desta obra ainda inédita, que fala sobre as manifestações políticas que iniciaram em junho de 2013 e tomaram conta do país.
No bate-papo também se comentou do atual “ecossistema literário” que permite aos autores viverem de do universo dos livros e não necessariamente de direito autoral. Este processo é diferente de gerações anteriores, em que o autor vivia de um emprego fixo (jornalismo, médico, diplomata, etc) e escrevia somente em outro período. Hoje, por mais que um autor não ganhe dinheiro com vendas físicas e virtuais, ele consegue sobreviver com o dinheiro de oficinas criativas, palestras, encontros e jornadas literárias.
“O escritor deve se profissionalizar”, diz ela ao defender a classe. “Acho um absurdo dizerem que o livro é caro. Um sujeito paga 90 reais numa pizza e isso dá para comprar três livros. Na Estante Virtual (buscador de livros) é possível encontrar livros meus sendo vendidos a 10 reais. Esta é uma das grandes mentiras que repetidas à exaustão se tornam verdade”, sentenciou ao afirmar que o livro tem um preço justo no Brasil. Ele cita o caso do México, país muito similar ao Brasil em termos de população e economia. Lá, os escritores de diferentes faixas etárias recebem bolsas de estudo para investir na sua produção literária.
Bressane também falou de suas influências. Uma das maiores é o americano Philip K. Dick, que era editado como literatura de segunda classe enquanto vivo e hoje é considerado um grande gênio da ficção científica. Ao lado de Stephen King, é o autor com mais adaptações para o cinema. Uma delas, Blade Runner, foi brilhantemente dirigida por Ridley Scott virou um clássico do cinema cult.
Ele mesmo já tentou seguir os passos do mestre e assina o roteiro da graphic novel V.I.S.H.N.U.. Trata-se de uma obra de ficção científica em que uma inteligência artificial criada na Índia se rebela contra os homens e só aceitar falar com um médico brasileiro, levemente inspirado no cientista Miguel Nicolelis. A obra foi feita a seis mãos, em parceria com Eric Acher e o ilustrador Fabio Cobiaco. A ideia é que inicie uma trilogia, para ser lançada nos próximos anos.
Outras influências são português Roberto Helder, o americano-canadense Mark Strand, o chileno Roberto Bolaño e o brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Os quatro são poetas e ajudam o autor a chegar a uma voz própria, o primeiro passo para compor poemas em um estilo único. “Todo início de ano releio o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. É quase como uma autoajuda”, brincou o escritor.
O próximo Segundas Intenções na BSP é com também jornalista e escritor Humberto Werneck. A atividade vai acontecer no dia 30 de julho, às 11 horas.
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