Parceria inovadora reúne vários atores para implantar rede de bibliotecas em Santo André
Postado em 29 DE junho DE 2018
As oficinas contaram com mais de 80 pessoas, entre alunos, ex-alunos, professores, voluntários, profissionais de leitura e líderes das microrregiões Sacadura Cabral e Cata Preta. A semana foi encerrada com a inauguração da Biblioteca Viva do campus e com a realização de 3 intervenções artísticas (circo, teatro e dança) intercaladas com vivências práticas extraídas das oficinas realizadas.
A Semana da Pedagogia foi encabeçada por Maria Elena Villar e Villar e Maria Elena Gouvêa, respectivamente professora titular de Pedagogia e coordenadora do curso de Pedagogia. Marilena Nakano, ex-professora da faculdade e voluntária da SP Leituras, uma das idealizadoras do projeto, contribuiu para o sucesso de todas as etapas da semana. As atividades também contaram com o decisivo apoio da Rebisa (Rede de Bibliotecas de Santo André), vinculada à Secretaria da Cultura do município, que está integrada às ações do projeto desde o início.
Na opinião de Vitor Hugo Moraes, gerente da Rebisa, a programação rendeu rica troca de informações. "Uma das nossas principais relações nas bibliotecas públicas, principalmente as escolares, é com o professor", destaca Moraes, que acredita que o evento tenha sido de suma importância para incrementar ainda mais essas relações. Maria Regina Rodrigues, bibliotecária da rede da cidade que soma 18 espaços, concorda. Regina, que tem formação também em Pedagogia, defende que levar essas iniciativas para os territórios é fundamental na criação de leitores e na construção dessa ligação entre cultura, em geral, e a população.
Já Marilena Nakano acrescenta: "esse tipo de iniciativa é da maior importância para a população porque permite que cada cidadão viva um outro modelo de biblioteca, a biblioteca viva, cujo foco é o encontro das pessoas e na relação que cada uma estabelece com o livro e assim possa viver o que tem mais íntimo, segundo seus desejos e interesses. Para os grupos vulneráveis da cidade, nosso foco principal, esse tipo de iniciativa é ainda mais importante porque a eles tem sido negado, sistematicamente, o direito do acesso à literatura e à leitura, bem como às atividades culturais."
Também entusiasmada com os resultados do encontro, com os saberes compartilhados e com a instalação da Biblioteca Viva, Maria Elena Villar e Villar ressalta que a atividade cultural deve acontecer em qualquer lugar. E a programação deste ano demonstrou exatamente isso para agentes importantes de transformação: professores, estudantes de Pedagogia e líderes das comunidades, segundo ela. Sobre o legado da biblioteca, Maria Elena diz: "não é só um espaço físico, é um lugar de encontro" e que a professora vê como importante conquista para os profissionais envolvidos e toda a população do entorno.
Para Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, “o nosso envolvimento com o projeto Rede de Pequena Bibliotecas Vivas de Santo André é total. O conceito “biblioteca viva” está presente no nosso cotidiano e nas nossas ações para disseminar a leitura para todos os públicos.”
Sobre as oficinas
A Semana de Pedagogia mobilizou três salas de aula e os estudantes puderam escolher a oficina de seu maior interesse: "A arte de criar leitores: reflexões e dicas para uma mediação eficaz" ministrada por Goimar Dantas, "Contação de histórias - A história da gente" com Henrique Athayde e Fernanda Mariano e "Pedagogia dos saraus: teoria e prática literária e educativa" comandada por Rodrigo Ciríaco.
Com a escritora Goimar Dantas, os participantes foram "apresentados" aos ícones da literatura do passado e contemporâneos, em um panorama geral sobre o setor, que somou ainda informações a respeito de eventos literários que marcam o calendário e dados do mercado editorial brasileiro, entre outros.
Depois de receberem informações sobre a estrutura da contação de histórias, os alunos tiveram também puderam ter suas próprias performances avaliadas pela dupla de experientes profissionais da área, composta por Henrique Athayde e Fernanda Mariano. Os contadores profissionais, que também são atores, utilizaram a última aula para “afinar” as apresentações dadas como exemplos pelos próprios estudantes, que criaram suas histórias com materiais disponíveis em sala ou somente a voz e a expressão corporal. Para as professoras Joyce Adriana Soares, aposentada e que agora trabalha em creche, e Diana Rodrigues, que participaram da oficina, entrar em contato com essas informações faz toda a diferença para o trabalho em sala de aula e fora dela.
Já quem optou por descobrir ou saber mais sobre os saraus teve contato com farto material para inspiração e técnica reunido por Rodrigo Ciríaco, que conheceu esse movimento há 12 anos. "Foi um encantamento poder olhar para a literatura e poesia como arte. Porque até então as minhas experiências na escola ou mesmo na vida eram de não olhar para literatura com prazer, pela fruição estética, mas mais como um manual de leitura escrita", conta ele. Esse encantamento foi transferido com sucesso para quem esteve na sala de Ciríaco.
Joelma Gonçalves, que comanda uma turma de reforço escolar e mantém uma biblioteca viva aberta à comunidade, foi uma das encantadas pelo sarau. Jô, como é mais conhecida, confessa que não conhecia essa ferramenta para atrair a atenção principalmente dos pequenos. A conexão é imediata, salienta ela, que na mesma semana levou a experiência para seus alunos.
Para Gabriele Siqueira, que está no 4º ano de Pedagogia e já trabalha no ensino médio, os resultados da aplicação dos saraus em sala de aula também foram imediatos. Agora que conta com mais informações e ferramentas para utilizar esse espaço para valorizar ainda mais a literatura, Gabriele acredita que conquistou definitivamente novos leitores por esse caminho. Deixando a timidez de lado, Lucas Basílio Lopes, que está no 2º ano de Pedagogia, estreou em um sarau e arriscou ler um poema durante a atividade. "Tinha uma ideia de sarau careta, fechado, chato", diz ele que encara agora a performance coletiva como uma grande festa! Quem também precisou enfrentar o desafio de apresentar-se em público foi Gian Nunes de Oliveira, que veio do Bairro Sacadura Cabral onde abriu espaço para uma biblioteca em sua pequena loja de assistência técnica de celulares e produtos de informática. O líder comunitário não esconde a satisfação em ver as famílias se aproximarem dos livros e, em especial, dos jovens e adolescentes que estão descobrindo os prazeres da leitura.
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