Os destaques do último dia do Seminário Biblioteca Viva
Postado em 12 DE novembro DE 2015Na manhã, Tião falou que era professor de uma universidade em Minas Gerais, mas saiu do emprego para se tornar educador. Para ele “professor ensina, educador aprende”. Com isso, ele seguiu a carreira de empreendedor social, ou “fazedor”, e seu projetos já foram aplicados em cinco estados do Brasil e viraram política pública em países da África e América do Sul.
Baseado nas ideias de Paulo Freire, ele criou uma organização social que elaborou brinquedos educativos; realizou uma leitura crítica da escola tradicional, e, por isso, montou novos processos de aprendizagem; escutou centenas de pessoas na busca de respostas sobre quais caminhos deveria percorrer; fundou mais de uma dezena de bibliotecas itinerantes; conduziu centenas de crianças a adotar o hábito de leitura, e por aí vai.
“Projeto isolado e em rede não transforma. O que transforma é bandeira, é causa. Os meus meninos precisam aprender brincando e não sofrendo. E para educar uma criança é preciso convocar uma aldeia e registrar todos os saberes da comunidade”, disse.
Marcia Tiburi abriu a sessão da tarde falando que o livro é um mundo que abre para outros mundos. Relembrou as primeiras vezes em que entrou em uma biblioteca e definiu os profissionais do setor de “heróis da resistência”. Continuou dizendo que no Brasil a leitura, livros e educação não são prioridade e afirmou que as “bibliotecas são um espelho de cada cidade”.
Em seguida, a escritora filosofou sobre o livro, que para ela é um meio de comunicação, informação e de formação. O comparou com a internet, sendo que “o primeiro exige concentração, a segunda é um modo de distração”. Finalizou dizendo que “nas sociedades de informação, como a que estamos vivendo agora, o maior capital é a linguagem”.
MANHÃ E PAINÉIS
A primeira atividade do dia foi uma mesa-redonda com a prefeita de Lençóis Paulista (SP), Izabel Lorenzetti e o prefeito de Garça (SP), José Alcides Faneco. Eles falaram que a biblioteca não deve ser um depósito de livros, mas sim um espaço de leitura e construção do mundo. “Estamos buscando ideias e muitas delas nasceram aqui neste seminário”, afirmou Faneco. “Não quero criar uma cidade de livros e sim de leitores”, complementou Izabel.
O período da tarde foi finalizado com a tradicional apresentação de painéis. A curadoria do evento trouxe cases de Praia Grande (SP), que mostrou um projeto de uma rádio escolar. Na pauta também estava a experiência de Gaxupé (MG), que mobilizou a sociedade civil e voluntários para promover a cultura e a leitura. Também foi exposto o projeto “carteiros-literários”, da capital paulista, que transforma a biblioteca em ponto de cultura e realiza intervenções nos espaços públicos. Outra ideia é da Mala do Livro, do Distrito Federal (DF), em que o poder público colocou 350 minibibliotecas feitas em caixas de madeira em diversos locais. E por fim, mostrou que em Igarapava (SP), a biblioteca escolar fundou uma fanfarra com os alunos e transformou o espaço em um lugar vivo (e bem barulhento).
AGRADECIMENTOS
O diretor executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht e a coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura (UBL), Silvia Antibas, fecharam o Seminário Biblioteca Viva com agradecimentos à equipe organizadora e ao público. Pierre fez um breve resumo sobre alguns dos tópicos falados no evento, chamou os profissionais do setor de “missionários” e disse que uma rara qualidade deles “é a generosidade para compartilhar experiências”.
Já Sílvia ressaltou a “alegria e paixão” dos bibliotecários, disse que “aprendeu muito” com toda as experiências e que a Secretaria de Estado da Cultura está de portas abertas para transformar o setor e as bibliotecas.
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