O filósofo Luiz Felipe Pondé e a autópsia da alma
Postado em 02 DE fevereiro DE 2021
O escritor Luiz Felipe Pondé[/caption]O escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé é capaz de traduzir em linguagem acessível grandes questões que dominam a Filosofia. Convidado do Segundas Intenções Online de fevereiro, na Biblioteca de São Paulo (BSP), integrando a programação especial que celebra os 11 anos da biblioteca, Pondé foi entrevistado por Manuel da Costa Pinto. Colunista da Folha de S. Paulo, comentarista do Jornal da Cultura e do recém-lançado programa Linhas Cruzadas na TV Cultura, Pondé é doutor em Filosofia pela Universidade de Paris e pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade de Tel Aviv. Também é criador e diretor do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor da Fundação Armando Alvares Penteado.
No bate-papo, Pondé falou sobre sua formação acadêmica e contou histórias curiosas. Nascido numa família de médicos, o escritor pernambucano cursou cinco anos de Medicina, na Bahia. Durante o curso, sentiu falta de mais cadáveres para estudar anatomia. Para contornar o problema, fez um estágio voluntário no necrotério da polícia técnica de Salvador, onde permaneceu por um ano e aprendeu a fazer autópsias. Um interesse profundo pela psicanálise e por Freud acabou lhe desviando da carreira médica. Daí para a filosofia, foi um passo. “Diziam, quando cheguei à Filosofia, que tinha sangue nas mãos”, contou Pondé.
A carreira acadêmica foi evoluindo, mas Pondé sempre teve o desejo de atuar também na mídia, levando o debate para o grande público. Escreveu para o jornal Estado de S. Paulo, entre outros, até que, em 2008, tornou-se colunista na Folha. “O Otavio Frias Filho (diretor de redação), me falou: ‘Pondé, quero que você quebre o couro dos contentes e que você traga um pouco de ceticismo e tristeza para esse jornal.’ E eu cumpro essa missão até hoje”. O filósofo procura mostrar que as construções demasiado otimistas estão cheias de buracos.
Autor de mais de uma dezena de livros que versam sobre filosofia, religião, moral e literatura, Pondé irá lançar nas próximas semanas A era do niilismo: notas de tristeza, ceticismo e ironia, pela Globo Livros. Na obra, investiga os sentimentos de angústia e desesperança que incidem sobre os mais diversos âmbitos da vida e da humanidade.
Ao final do bate-papo, Pondé ainda respondeu algumas perguntas de internautas, como essa: “Falta ao brasileiro, de todas as classes, mais autorreflexão? A situação atual do país é resultado de uma falta de reflexão?” – “Acho difícil identificar a causa da situação brasileira. Eu acho que falta repertório, mas muita vezes o repertório na elite brasileira é usado como uma degustação de vinhos. Fernand Braudel, historiador francês que deu aulas na USP de 1935 a 37, comentava que era convidado para jantares na elite paulistana. E estes, sempre tinham o seu “francês” para falar alguma coisa inteligente antes do jantar. Mas a recomendação é que deveria ser curto. Não mudou nada. A elite econômica ilustrada continua sendo muito duvidosa.”
A seguir, a íntegra da entrevista:
https://www.facebook.com/BSPbiblioteca/videos/1101170880326104
Acompanhe a programação completa de aniversário #BSP11anos aqui.
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