Morre a escritora Doris Lessing
Postado em 18 DE novembro DE 2013

Morreu neste domingo, aos 94 anos, a escritora britânica Doris Lessing, ganhadora do prêmio Nobel de Literatura em 2007.
Filha de um oficial colonial britânico, Lessing nasceu em 22 de outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia, hoje Irã, mas ainda criança mudou-se para a Rodésia, atual Zimbábue, colônia inglesa.
Autora de mais de 50 livros, seu período de maior popularidade se deu nos anos 1970 e 1980, quando obras como O verão antes da queda, O carnê dourado ou a série de ficção científica Canopus em Argos alcançaram milhares de leitores e foram traduzidos para dezenas de idiomas – inclusive o português.
Sua obra é um mosaico das tensões sociais do século XX, retratando transformações políticas e comportamentais, como o papel da mulher na sociedade, os rumos da esquerda, o comunismo, o colonialismo africano.
Lessing militou no Partido Comunista britânico entre 1952 e 1956 e participou de campanhas contra as armas nucleares. Sua crítica ao regime sul-africano lhe custou o veto de sua entrada no país entre 1956 e 1995, e também na Rodésia, em 1956.
Durante as últimas décadas de sua vida, Lessing viveu na mesma rua do londrino bairro de West Hampstead, onde trabalhou até o final escrevendo artigos, romances, relatos e poesia.
Ao ganhar o Nobel, comentou: “"Oh, Cristo... Eu realmente não me importo", disse completando, em seguida: "Bem, eu não sei. O que vocês acham que eu deveria dizer?" Mais tarde, ela brincaria: "Estou com 88 anos e eles não podem dar o Nobel a alguém que morreu. Então acho que eles provavelmente acharam melhor me dar logo o prêmio antes que eu me vá."
Veja quais livros de Doris Lessing você encontra na BSP:

As avós
Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, 'bocejante', além do qual o 'verdadeiro oceano rugia e roncava', é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria - e eles se tornam adolescentes encantadores. Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção.

O sonho mais doce
Logo na introdução de O sonho mais doce, Doris Lessing afirma que não vai escrever o terceiro volume de suas memórias - já publicadas em Debaixo da minha pele e Andando na sombra - por receio de ferir susceptibilidades. Isso não a impede, contudo, de fazer uma crítica ao que julga ter dado errado no século XX. Põe em xeque o manto real da esquerda, questiona o feminismo, as terapias alternativas, as organizações humanitárias e a já esquecida campanha em prol do desarmamento nuclear.Na primeira parte, o foco é a ampla mesa da cozinha de um casarão londrino onde se reúnem jovens de diversas extrações que são alimentados de comida por Frances Lennox - a mão substituta, liberal e compreensiva de todos eles -, e de retórica pelo camarada Johnny ex-marido de Frances e stalinista convicto. Estamos na década de 60 e os jovens sonham mudar o mundo: participam de passeatas, protestos e comícios, abandonam os estudos, voltam a estudar, lutam em Paris, colhem uvas. Na segunda parte, esses jovens já entraram no espírito dos anos 80. A ação se transfere para uma missão católica na Zimlia, numa África assolada pela AIDS em meio a corrupção, seca e superstições.Com a verve e a indignação que a caracterizam, Lessing traça um panorama do século XX acompanhando três gerações e transita, com conhecimento de causa, entre a Londres que tem tudo e a África carece de tudo.

Alfred e Emily
Nesta obra, a autora explora a vida de seus pais e tenta compreender não somente quem eles foram, mas que influência tiveram na sua formação. O livro é dividido em duas partes. Na primeira, a autora imagina como poderia ter sido a existência de Alfred e Emily caso não tivessem vivido a Primeira Guerra. Lessing passa longe de tentar proporcionar aos pais a felicidade desejada e a realização dos sonhos - a jovem Emily recusa-se a entrar para a universidade e decide ser enfermeira num hospital londrino. Alfred evita a burocracia dos bancos para dedicar-se ao trabalho rural e às partidas de críquete. Na segunda parte, Lessing expõe suas memórias da vida familiar numa colônia inglesa na Rodésia do Sul (atual Zimbábue). Ela mostra a vida de seus pais - a luta de uma enfermeira e de um ex-soldado aleijado contra a lembrança dos hospitais e das trincheiras. Da tensão entre as duas partes do livro resulta uma investigação sobre os traumas da guerra e o efeito das emoções dos pais na vida dos filhos.

Amor, de novo
Podem o amor e o desejo sobreviver ao tempo? Os desejos e anseios da pessoa apaixonada têm suas raízes na necessidade de amor da primeira infância, diz Doris Lessing neste romance. Quando Sarah Durham se apaixona, aos sessenta e cinco anos, está revivendo as etapas de seu próprio crescimento - com o belo e andrógino Bill ela vive um amor imaturo e infantil; com Henry chega à maturidade.
Notícias
Biblioteca Parque Villa-Lobos é indicada ao prêmio IFLA Green Library Award 2026
Projeto Percurso Mata Atlântica se torna referência internacional entre bibliotecas verdes
Postado em 16 DE abril DE 2026
BibliON ganha destaque em matéria da Folha de S. Paulo sobre acesso gratuito a livros
Plataforma tem mais de meio milhão de leitores
Postado em 10 DE abril DE 2026
Viagem Literária: 67 cidades paulistas são selecionadas para a 18ª edição do programa
Foram recebidas 120 inscrições completas, representando 108 municípios paulistas. O processo seletivo levou em conta critérios técnicos
Postado em 27 DE março DE 2026
SP Leituras é referência em reportagem sobre bibliotecas vivas
Matéria do Sesc SP destaca a gestão da BSP e da BVL e a visão de biblioteca como espaço de liberdade
Postado em 03 DE fevereiro DE 2026
