Conversando sobre clubes de leitura: em meio à pandemia, iniciativas inovadoras fortalecem a reunião de diferentes pessoas, de diversos lugares, conectadas à literatura
Postado em 06 DE agosto DE 2021

A migração dos clubes de leitura para os espaços virtuais hoje é uma realidade. Discute-se, até, que o formato híbrido veio mesmo para ficar. A tecnologia não tirou destes espaços o poder de socialização, troca de experiências, força coletiva e inclusão de novos públicos na prática leitora. Ao contrário, os clubes ganharam força no cenário de distanciamento social.
“Os clubes de leitura estão aí para fortalecer a ideia de que a experiência da leitura não precisa ser um confinamento!”, acredita a mediadora Amanda Leal de Oliveira (Piracaia na Leitura / Instituto Cultura Etc), que abriu mais uma rodada da série “Conversando Sobre: clubes de leitura”, nesta quinta-feira, 5 de agosto, na 12ª edição do Seminário Internacional Biblioteca Viva.
Quantas autoras negras você já leu?
Aumentar o interesse pela literatura de autoras negras é o objetivo do clube de leitura MNB, do coletivo Mulheres Negras na Biblioteca (MNBT), idealizado e organizado por profissionais de Biblioteconomia e Letras, que se dedicam a promover atividades culturais para a formação e o aumento do público leitor de autoras negras, estimulando a inclusão dessas obras nos acervos das bibliotecas. Neste clube, o público é convidado a ler coletivamente um texto de autoria negra-feminina. Em seguida, inicia-se uma troca de impressões a respeito da obra.
“O importante é retirar obstáculos para que as pessoas tenham contato com a narrativa.”, ressalta Carine Souza, uma das fundadoras do coletivo. Para participar, não é preciso ter leitura prévia dos textos, que são relativamente curtos (em geral contos), lidos em voz alta com discussões realizadas em linguagem coloquial, em encontros não sequenciais. Além disso, a interação não é obrigatória - tanto no formato presencial como no virtual.
Um clube de leitura que já nasceu digital
Um clube de leitura de compartilhamento da literatura entre bibliotecários nasceu em meio à pandemia, em formato digital. Charlene Lemos, do Clube de Leitura Secreto dos Bibliotecários da Prefeitura Municipal de São Paulo, conta a experiência do desenvolvimento do formato online para este clube que teve seu início secretamente, como um laboratório para as profissionais de bibliotecas. Hoje, pelo sucesso, não é mais tão secreto assim, com o número de participantes aumentando cada vez mais. “É um espaço leve e colaborativo que se tornou um exercício de escuta, com a vantagem do formato online, que reuniu um grupo muito diverso.”, observa Charlene.
Inovação para atrair públicos de várias faixas etárias
Os Clubes de Leitura e Clubes do Audiolivro da Biblioteca de São Paulo (BSP) e da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), geridas pela SP Leituras, são opções gratuitas e online que tem atraído cada vez mais jovens e adultos para interagir com o universo da literatura.
Para fomentar o gosto pela leitura, gerar protagonismo dos participantes, incentivar a fala e a escuta, promover a reflexão sobre comportamentos, construir comunidades e afetos, além de estimular os empréstimos dos acervos das bibliotecas, todos os meses um livro é selecionado para discussão de detalhes da história com os leitores da obra, incentivando, assim, o encontro de pessoas, o debate literário e o hábito da leitura. “Também propomos reflexões em torno da Agenda 2030, dos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”, destaca o mediador da SP Leituras, Rodrigo Oliveira.
E novidades estão chegando por aí, anuncia Rodrigo. Os Clubes de Leitura da BSP E BVL estudam novos formatos para atrair diferentes faixas etárias, como clube de leitura em rede, clubes temáticos e outros suportes de informação: artigos, games, HQ, entre outros.
Assista a palestra na íntegra pelo canal do YouTube do SisEB.
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