Como as bibliotecas podem contribuir para uma sociedade mais inclusiva
Postado em 15 DE março DE 2021
Na abertura do encontro online, o diretor executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht frisou que as bibliotecas podem e devem ser o espaço de promoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que constam da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas. “Esta é uma construção que devemos fazer todos juntos. E é simbólico estarmos fazendo isso hoje, neste novo mundo, com tanta informação e conhecimento disponível, mas, às vezes, tão difícil de garimpar”, disse.
A mesa-redonda contou com a participação de Elizete Vitorino, Manuel Gama e Marina Marçal e teve mediação de Adriana Ferrari. Antes do início do debate, a atriz Luz Ribeiro fez uma intervenção poética chamada “Territórios ancestrais”, destacando a luta das mulheres em senzalas, quilombos e cidades. No passado e no presente.
A mediadora, Adriana Ferrari, vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), e membro do Comitê de Bibliotecas Públicas da International Federation of Library Associations (IFLA), afirma que os bibliotecários podem contribuir muito com objetivos da Agenda 2030. “Esse é um trabalho de engajamento de toda a sociedade”, diz Adriana. “Somos parceiros da Agenda e precisamos caminhar não com o foco somente no equipamento, mas com o olhar para a comunidade e a perspectiva de alterar a realidade do entorno. Seguindo nesse caminho, se reafirma a cultura como força motriz, como um pilar da sustentabilidade. As bibliotecas são essas portas para ajudar a construir uma sociedade mais justa e menos desigual”, afirma.
Para Elizete Vieira Vitorino, pesquisadora do Departamento de Ciência da Informação do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, os bibliotecários podem contribuir no desenvolvimento de programas para ajudar o público a pesquisar e trabalhar com informações, de modo a assegurar sua cidadania. Projetos realizados em parceria com organizações públicas e privadas e a sociedade em geral devem levar em conta todas as dimensões da informação. Saiba quais são as dimensões da competência da informação aqui.
Marina Marçal, coordenadora do portfólio de Política Climática e Engajamento do Instituto Clima e Sociedade, aponta para a necessidade de se lançar um olhar para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável mais contextualizado à realidade brasileira. Segundo ela, há uma transversalidade de assuntos como: problemas sociais, consumo exacerbado e questões climáticas. Essas temáticas são abordadas de forma impactante, segundo ela, pelos líderes indígenas Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomamie e dão pistas de que podemos encarar o desafio de maneira mais integral e holística. Durante sua participação, Marina apresentou um vídeo sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e mostrou como estão conectados entre si.
Manoel Gama, doutor em Estudos Culturais pela Universidade do Minho (UMinho), que também integrou a mesa de debates no webinar, diz que as ações para alcançar os ODS não podem ser isoladas. Desde 2016, ele coordena o 2CN-CLab e o Observatório de Políticas de Comunicação e Cultura da UMinho e considera que o estabelecimento de parcerias é fundamental para o cumprimento dos objetivos. “Todos têm responsabilidades: o município, o governo e também o bibliotecário”, diz. Mas, envolver a comunidade, segundo ele, faz qualquer projeto ganhar força. “Uma biblioteca pode transformar o bairro e ele vai 'contaminando' outras escalas”, diz.
Em breve, este webinar estará disponível no canal do YouTube do SisEB - https://www.youtube.com/sisebs.
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