João Sayad: um legado que vive nas bibliotecas públicas e na vida dos cidadãos


João Sayad faleceu neste domingo (5), em São Paulo, aos 75 anos. O economista, formado pela Universidade de São Paulo, doutor em economia pela Yale University, e professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) desde 1968 e referência no debate econômico nas décadas de 80 e 90, deixa um importante legado para a educação e cultura do Brasil. Sua contribuição vai para além da sua trajetória acadêmica e política: o incentivo à leitura e o acesso da população aos livros.

Como secretário de Estado da Cultura de São Paulo, quando assumiu o cargo, em 2007, João Sayad teve a missão de apoiar as formas de expressão e fruição artística que estivessem sufocadas pelo mercado, pela falta de acesso, pela carência de canais e distribuição das criações artísticas. “Se arte está associada ao coração, a função da Secretaria é desobstruir artérias e permitir a livre circulação: expor a cultura dos oprimidos para os opressores, a arte erudita para os artistas populares, a cultura popular para os eruditos, a cultura brasileira para o resto do mundo e a do mundo para os brasileiros”, disse à época.

Sayad foi um dos nomes envolvidos na concepção da Biblioteca de São Paulo em 2010, ano da fundação da SP Leituras.

Na sua gestão, um segundo propósito foi o de “continuar o esforço de tornar a secretaria uma organização republicana – impessoal, protegida da conjuntura política e eleitoral, com profissionais contratados corretamente e decisões baseadas no mérito, julgado por especialistas das diversas comunidades artísticas”.

A SP Leituras lamenta a partida do grande responsável e incentivador por sua formação, um grande batalhador pela cultura e pela literatura em especial. Um grande leitor, um amigo dos livros e das artes. Uma grande perda.